Contabilidade consultiva é um termo que vem ganhando força no mercado contábil nos últimos anos. Apesar de se tratar de um conceito antigo, ele vem sendo amplamente utilizado para representar alguns novos comportamentos que surgiram com o advento das tecnologias tributárias a partir dos anos 2000, bem como a vertente progressista do pensamento contábil.

Mas afinal, o que é contabilidade consultiva?

Contabilidade consultiva é o processo pelo qual as informações contábeis são, de fato, utilizadas pelos gestores da empresa no processo de tomada de decisão.

Por que a contabilidade consultiva não vinha sendo praticada?

Por muitos anos, o ensino tradicional contábil e a base de seu pensamento “tornar a contabilidade uma ferramenta de tomada de decisão” não foram completamente praticados no mercado brasileiro. Entre os fatores que contribuíram para isso podemos citar:

  • A complexidade tributária brasileira, que fez com que o contadores tivessem que se dedicar muito a apuração de impostos e emissão de guias, bem como a todas as necessidades da empresa em relação a compliance;
  • Modus operandi do empresário médio brasileiro, que não possui seus dados organizados o suficiente para que se gere informações confiáveis;
  • Falta de preocupação com informações estratégicas, muito devido ao fato de que muitos gestores brasileiros não se capacitaram em gestão e ainda atuam amplamente no nível operacional.

A própria forma com que as informações eram apresentadas, tornou-as indecifráveis ao interlocutor. Muitos relatórios eram engavetados, pois continham informações demasiadamente tecnicistas, que não eram compreendidas pelos empresários. O que poderiam ser a receita de sucesso para as empresas acabou se tornando apenas mais uma folha de papel numa caixa esquecida.

Durante muito tempo as empresas contábeis foram muito bem remuneradas para fornecer o serviço de calcular os impostos e entregar as guias de pagamento. Esse molde tomou conta do mercado até os anos 2000. O Projeto SPED, por um lado, abriu as portas do mundo digital para o mercado contábil, mas por outro, criou inúmeras obrigações acessórias para as empresas e seus contadores.

A revolução digital criou um novo panóptico governamental. O “Big Brother Fiscal” instaurou uma Nova Era nas entregas acessórias e na maneira de lidar com o modus operandi tanto das Empresas Contábeis quanto da sua carteira de clientes. Apesar do maior volume de informações e da maior capacidade informática, a contabilidade ainda não havia se tornado por completo uma ferramenta de tomada de decisão.

O retorno da contabilidade consultiva

A necessidade real de uma mudança surgiu com uma faceta mais recente da revolução, que foi o inchaço de profissionais e empresas contábeis que atuavam no atendimento da maior parte das empresas no Brasil: As PME’s. Uma grande briga por preços solapou o ticket médio dos honorários contábeis de todas as regiões do país. Com serviços semelhantes ou iguais, as empresas contábeis sofreram com o leilão de preços.

Foi nesse momento que algumas empresas de tecnologia (as chamadas startups) começaram a perceber que aquele serviço de compliance poderia ser quase totalmente automatizado. Sendo assim, essas startups perceberam que era possível atender uma enorme demanda de mercado que só viam o contador como “aquele presta contas da minha empresa para o governo”. Com altos investimentos, alto grau de automação e estratégias de precificação agressivas, empresas de contabilidade online surgiram e atacaram a base de clientes dos contadores, com um serviço de compliance similar ao oferecido pelos escritórios físicos.

Voltar ao objetivo inicial da contabilidade que é ser uma ferramenta de decisão e geração de riqueza para as empresas, agora é uma questão de sobrevivência das Empresas Contábeis. Auxiliar na resolução de problemas de gestão vem se tornando o novo padrão, que ajuda a aumentar a percepção de valor dos serviços prestados ao empresário.

A revolução contábil

O retorno da contabilidade consultiva trouxe a tona os pensamentos de grandes contabilistas e diversos empresários contábeis, que tomaram para si essa mudança. A pauta dos eventos contábeis passou a ser, de “Como atender a obrigatoriedade X” para “O que devemos fazer para entregar valor ao nosso cliente?”

Essa mudança de vertente só vem sendo possível graças as inúmeras ferramentas fornecidas por startups que vêm complementar os tradicionais sistemas contábeis. Com o intuito de simplificar a relação entre cliente e contador, essas ferramentas permitem que o contador receba os dados das empresas de forma mais eficaz e transformem esses dados em informações para tomada de decisão. Assim, a contabilidade volta a ser, objetivamente, voltada a saúde financeira das empresas.

A contabilidade consultiva é o remédio para o empresário sair do operacional e avançar na gestão da sua empresa. Inúmeras Empresas Contábeis incrementaram sua prestação de serviço com novas ofertas como: BPO Financeiro, Consultoria Tributária, Consultoria e treinamento em finanças. Outras tantas Empresas Contábeis têm reformulado seu processo interno para basear-se na necessidade de gerar informações ricas ao cliente final.

Ainda estamos na adolescência desse novo momento e muitas outras novidades estão aparecendo no horizonte: O uso de inteligência artificial para reduzir o trabalho braçal, Machine Learning e o incremento da capacidade de análise dos sistemas contábeis.

A perspectiva é animadora.

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