“Importação marítima ou importação aérea: Qual a mais vantajosa?” Aparentemente esta pergunta parece ser fácil de responder. Só que geralmente estamos pensando apenas naquela nossa pequena encomenda que compramos lá da China e que estamos ansiosos para receber.

…então responderíamos: Importação aérea é mais vantajosa!…porque é mais RÁPIDA!

Mas não é apenas a velocidade o fator que implica em ser ou não vantajosa a importação.

Precisamos analisar de maneira geral o transporte de carga e todos serviços que podem impactar direta ou indiretamente nesta.

Quando pensamos em importação, para fins de revenda no Brasil, temos que lembrar que existem vários serviços envolvidos, como por exemplo:

  • Corretagem de Câmbio
  • Transporte Internacional
  • Agenciamento de Carga
  • Armazenagem em terminais de cargas
  • Comissária de Despachos ou Despachantes Aduaneiros
  • Transporte Nacional
  • Órgãos Públicos

Mas Carol, como faço essa análise? Como vou saber escolher?

Então vamos lá…vou analisar alguns pontos importantes para esta tomada de decisão.

O transporte internacional de carga

Na maioria das vezes, é através do agente de carga que o importador “compra” o frete internacional.

O agente de carga é o intermediário entre a cia aérea ou armador marítimo, e o importador.

É o agente de carga quem planeja e “compra” espaço nas aeronaves e nos navios, e revende estes espaços ao importador. Assim, o agente de carga que consolida diversas cargas em um mesmo contêiner ou em um mesmo avião.

É responsabilidade do agente de carga a emissão do conhecimento de transporte (AWB ou BL), e acompanhamento do trânsito da carga enquanto responsável pelo frete.

O transporte internacional é o protagonista desta nossa análise, porque é o que sofre interferência da via escolhida.

Vamos ver cada um:

importação marítima

importação aérea

Como funciona na prática?

Os frete aéreos são comercializados por “Kg”. Ou seja, é cobrada uma taxa por “kg” de mercadoria embarcada.

Um exemplo fictício:

importação aérea

Já o frete marítimo é comercializado em toneladas ou metragem cúbica.

Um exemplo fictício:

Vejam que o frete marítimo é mais indicado para cargas que sejam muito pesadas ou volumosas e que não sejam frágeis.

Já o frete aéreo, por ser cobrado por kg, e ter algumas restrições quanto ao tipo de mercadoria que pode ser embarcada em uma aeronave, é mais indicado para produtos mais leves, menos volumosos e que sejam mais frágeis/delicados.

O tempo de trânsito é algo significativo. Na comparação acima é possível perceber que da Europa para o Brasil de navio leva-se em média 20 dias e de avião 4 dias.

Porém o que tem que ser avaliado não é apenas a urgência no recebimento da mercadoria, mas sim o tipo e quantidade de mercadoria que serão embarcadas.

Por exemplo, para importar um carro, não faz sentido embarcar via aérea, devido ao peso e volume total, e por consequência o alto custo que será cobrado de frete aéreo.

Geralmente importa-se carros novos via transporte marítimo.

Já para importar materias de escritório como blocos de papel ou cartões em papel, não é indicado embarcar via marítima pela fragilidade do tipo de material. A probabilidade de entrar umidade no container é bastante grande o que danificaria o material. Isso vale para mercadorias como vidros, perecíveis, animais vivos, etc.

Os terminais de armazenagem

Como regra geral, a armazenagem é cobrada por períodos e normalmente tem como base de cálculo o valor CIF da mercadoria e o peso desta. O valor CIF da mercadoria a ser considerado, em via de regra, é o constante na Declaração de Importação.

Como a armazenagem é cobrada por períodos, que podem variar entre terminais portuários, portos secos e aeroportos, mesmo que a sua carga fique apenas parte do período estipulado, o valor não irá mudar, nem ser fracionado, paga-se o valor referente ao período de inteiro.

Nos casos das mercadorias marítimas que chegam nos portos elas podem ser armazenadas no Terminal de atracação do navio, ou serem removidas para um outro terminal ou porto seco a pedido do importador.

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Há “serviços complementares” nos terminais portuários que são cobrados em função do peso ou volume da carga (o que for maior), como: Handling In, Handling Out; e há “taxas fixas” para determinados serviços como: Cadastramento de BL, Inspeção não invasiva por Scanner, Presença de Carga, etc.

No caso da armazenagem aérea, as mercadorias que chegam nos aeroportos vão para o TECA (Terminal de Cargas) dentro do próprio aeroporto. A tabela aplicada é definida pela ANAC.

O que tem que ser verificado antes de fazer a importação via marítima ou aérea é qual o valor o terminal irá cobrar por esta estadia. É possível fazer simulações tanto para cargas aéreas como marítimas.

O fechamento de câmbio

Os serviços de fechamento de câmbio na importação não têm diferenciação na questão do meio pelo qual a mercadoria será transportada.

As taxas serão as mesmas tanto se a importação for via aérea quanto via marítima.

O que fará diferença é o montante a ser remetido. Geralmente valores maiores conseguem uma negociação de taxa melhor. E quando falamos em valores maiores, geralmente, isso representa grande quantidade de mercadoria.

Comissária de despachos ou Despachantes Aduaneiros

As comissárias de despacho e/ou despachantes aduaneiros geralmente cobram valores mais altos de honorários pelo despacho marítimo do que pelo despacho aéreo, isso porque o despacho de importação marítima é mais trabalhoso e burocrático.

Órgãos públicos

A Receita Federal, órgão público que tem maior impacto e influência no desembaraço das cargas de importação, não cobra por liberação, tanto faz ser aérea ou marítima, o que são recolhidos, pelo próprio importador, são os tributos devidos na importação como II, IPI, PIS, COFINS, TAXA SISCOMEX, ICMS, etc.

Para fins de tributos também não há diferenciação entre importação aérea e marítima, o que ocorre é que via marítima há algumas taxas a mais que via aérea, como por exemplo o AFRMM (Adicional ao frete para renovação da marinha mercante).

Transportadora Nacional

Vejam que depois que a mercadoria importada é liberada pela Receita Federal é necessário o transporte desta até o estabelecimento do importador.

Pensando geograficamente os portos brasileiros ficam mais distantes dos grandes centros que os aeroportos, além do número de portos operantes ser bem menor que o de aeroportos.

Esse fato impacta diretamente no transporte nacional (interno). Quanto mais distante a carga estiver do seu ponto de entrega final, maior será o valor do frete rodoviário.

Conclusão sobre a importação aérea x importação marítima

Estar consciente do tipo e volume do material que está comprando é imprescindível para a decisão de qual meio irá contratar, se aéreo ou marítimo. Com estas informações poderá verificar junto aos terminais de armazenagem qual valor estimado que será cobrado pela estadia da sua mercadoria, assim como também poderá estimar os valores dos tributos envolvidos, as taxas de câmbio, os honorários do despachante, o valor do transporte rodoviário, etc. Resumindo é possível fazer uma estimativa de toda operação, basta ter em mãos as informações completas da mercadoria.

Vejam que a escolha da via de importação, se aérea ou marítima, não fica a cargo apenas do tempo de trânsito envolvido, mas sim do tipo e quantidade de material. Muitas vezes não cabe uma “escolha” propriamente dita, e sim uma única opção devido as características da mercadoria importada.

Antes de decidirem pelo transporte aéreo ou marítimo da importação analisem estes pontos que foram comentados no texto de hoje.

 

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COMENTÁRIOS

Existem 1 comente este post.

  • Olá, recentemente estive a procura de um produto que a princípio seria para uso pessoal, um longboard elétrico, e me deparei com as restrições do transporte aéreo devido às bateria integrada do mesmo. Surgiu daí e da falta de representação da empresa na América Latina a ideia da importação marítima e possibilidades quanto a representação em si. Gostaria de saber mais sobre valores e/ou estimativas de custos da importação dos referidos. Obrigado.

    Jhonatas - 9 de Janeiro de 2018 Responder

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